Macunaíma

Joaquim Pedro de Andrade, 1969
Drama | 102 min - 49 Views

  • Paulo José, Grande Otelo, Carolina Withaker, Dina Sfat, Edy Siqueira, Guará Rodrigues, Hugo Carvana, Jardel Filho, Joana Fomm, Maria Clara Pellegrino, Maria do Rosário, Maria Letícia, Maria Lúcia Dahl, Milton Gonçalves, Miriam Muniz, Nazaré O'Hana, Palhares Carmen, Rafael de Carvalho, Rodolfo Arena, Waldir Onofre, Wilza Carla, Zezé Macedo

  • Filmes do Serro

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Tags : Anti-Herói, Joaquim Pedro de Andrade, Cinema Novo, Brasil
Legendas : English, Português
"Macunaíma", uma adaptação da rapsódia de Mário de Andrade, é a história de um anti-herói, ou "um herói sem nenhum caráter", nascido no fundo da mata virgem. De preto vira branco, troca a mata pela cidade onde vive incríveis aventuras acompanhado de seus irmãos. Na cidade, segue um caminho zombeteiro, conhecendo e amando a guerrilheira Ci e enfrentando o vilão milionário, Venceslau Pietro Pietra, para reconquistar o amuleto que herdara de Ci, o muirikatã. Vitorioso, Macunaíma torna à floresta carregado de eletrodomésticos, inúteis troféus da civilização. Joaquim Pedro de Andrade apresenta o filme.

"Sem dúvida, a melhor produção do Cinema Novo e um dos filmes mais extraordinários que já vi" - Fred Tutten, The New York Times

Extras

Curiosidade

Prêmios do filme "Macunaíma"

IV Festival de Brasília (1969): Prêmios de Melhor ator (Grande Otelo), Melhor ator coadjuvante (Jardel Filho), Melhor argumento (Joaquim Pedro de Andrade), Melhor Roteiro (Joaquim Pedro de Andrade), Melhor diálogo (Joaquim Pedro de Andrade), Melhor cenografia (Anísio Medeiros) e Melhor figurino (Anísio Medeiros). / I Festival de Manaus (1969): Melhor filme, Melhor ator (Paulo José) e Melhor fotografia (Guido Cosulich) / Prêmio Coruja de Ouro (1969) do Instituto Nacional do Cinema - INC em ainda Melhor ator (Grande Otelo) e Melhor cenografia (Anísio Medeiros) / Prêmio Golfinho de Ouro (1969) do Museu da Imagem e do Som do Rio de Janeiro de Melhor diretor / Prêmio Air France de Melhor filme, Melhor diretor e Melhor ator (Grande Otelo) / Prêmio Grande Condor de Ouro de Melhor filme, no Festival de Mar Del Plata (1970) / Prêmio Aquarius de Melhor roteiro do Festival de Nova Iorque (1972).

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Curiosidade

Lançamento nos EUA

Após o prêmio Aquarius de Melhor roteiro, recebido no Festival de Nova Iorque, em 1972, a distribuidora New Line Cinema lança, no mesmo ano, nos Estados Unidos uma versão do filme reduzida a 95 minutos, acompanhada de uma leitura equivocada e exótica: o subtítulo "Jungle Freaks" (Freaks da selva) e o slogan "95 Minutes of Brazil Nuts" (95 minutos de maluquices brasileiras). O filme é considerado "incompreensível" pelo grande público americano.

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Crítica

Juliana Fausto

Macunaíma, Maria, era como eu brasileiro  

  Em 1928, Mário de Andrade, tendo conhecido o estudo de Koch-Grünberg sobre folclore ameríndio, escreveu Macunaíma o herói sem nenhum caráter, quase que uma adaptação do conjunto de lendas populares compiladas pelo alemão – o autor mesmo considerava a obra uma rapsódia. Era uma época de transição, em que a geração dos modernos tentava se libertar do padrão europeu de cultura buscando resgatar o próprio da terra, de modo que fosse possível chegar até uma identidade nacional, uma brasilidade. 41 anos depois, Joaquim Pedro de Andrade adaptou a obra andradiana para o cinema e foi esse filme, Macunaíma, que hoje, mais de 30 anos passados, ficou em sétimo lugar entre os melhores do cinema nacional, segundo pesquisa feita aqui, por Contracampo. Mas o que é que Macunaíma tem que o mantém vivo através de todo esse período de tempo?

O cineasta considerava seu filme como um "comentário ao livro": ou seja, o que temos não é uma transposição simplesmente, mas notas, ponderações que visam uma interpretação; qualquer um que tenha lido Macunaíma... sabe muito bem, por exemplo, que a Uiara não o mata, mas que o herói acaba sobrevivendo ao ataque e virando constelação. E se essa está longe de ser a única mudança feita a partir da história original, talvez seja a mais significativa. Porque se, em virando a Ursa Maior, Macunaíma "...se aborreceu de tudo, foi-se embora e banza solitário no campo vasto do céu.", em sendo comido pela Uiara, lenda brasileira, o que se mostra é uma impossibilidade de vida para ele. É o Brasil quem come Macunaíma. Está-se em 1969, às beiras do movimento tropicalista; o que é filmar um herói colorido, festejado, cheio de paetês que acaba sendo devorado? É dizer contra o tropicalismo, que, nas palavras do diretor: "sempre foi completamente furada [a onda tropicalista] como movimento." Há, sim, um certo clima no filme que pode gerar uma identificação com o movimento, mas seu final é de absoluta interdição. Parece que o que existe ali é uma espécie de tentativa de diálogo com temas populares: a chanchada, por exemplo, permeia toda a narrativa, presente inclusive no elenco, figurinos e cenário. É um tipo de deboche, de ironia carregada de sentido mas sem lição.

Isso. Macunaíma é um filme sem lição, sem símbolos e modelos. É pura construção, do tipo que só aparece à medida que se vai construindo.. É sabido que Mário de Andrade escreveu dois prefácios para Macunaíma... mas que acabou publicando-o sem nenhum. Esses dois textos, porém, acabaram aparecendo mais tarde e, no segundo deles, está escrito, sobre a falta de caráter do herói, que ela é "...no duplo sentido de indivíduo sem caráter moral e sem característico." Aí está: o filme também o mostra assim e essa é a sua importância. Joaquim Pedro de Andrade atuou brilhantemente como rapsodo: Macunaíma não simboliza o povo brasileiro, mas é um brasileiro. E o Brasil é composto por brasileiros, que, como o herói, podem ter dificuldades para viver em seu país e podem também acabar devorados por ele. O cineasta disse que "Macunaíma é um filme que encontra a América Latina em todos os sentidos, em uma busca nacional." Talvez, se juntarmos a isso mais uma coisa que Mário de Andrade disse, em seu segundo prefácio, possamos responder à questão posta lá em cima, aquela da manutenção do Macunaíma até hoje. Mário escreveu que "Nas épocas de transição social como a de agora é duro o compromisso com o que tem de vir e quase ninguém não sabe. Eu não sei. Não desejo a volta do passado e por isso já não posso tirar dele uma fábula normativa. (...) O presente é uma neblina vasta." Pode ser que a importância de Macunaíma resida nos problemas que ele põe para nós, brasileiros. À época da escritura de Macunaíma... o presente era uma neblina vasta; em 1969, quando o filme foi feito, também. Talvez o sétimo lugar obtido por ele em 2001 seja sintoma de uma intranqüilidade frente à neblina que envolve o nosso cinema atualmente.

Tem mais não.

Fonte: www.contracampo.com.br/27/macunaima.htm

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Comentários

  • Fantástico poder assistir belos filmes brasileiros!

      February 14 13:43
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